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Cinema

Anos Rebeldes “Minissérie”

Anos Rebeldes
Minissérie TV Globo, Gilberto Braga

A seqüência de Anos Dourados, Anos Rebeldes, obra de Gilberto Braga com direção de Dennis Carvalho, notavelmente inspirada no livro de Zuenir Ventura “1968; O Ano que Não Acabou” e “Os Carbonários” de Alfredo Sirkis, entre outras referências da época, é uma minissérie brasileira transmitida pela Rede Globo entre 14 de julho e 14 de agosto de 1992 totalizando 20 capítulos, logo após disponibilizada em DVD triplo pela Globo Video e Som Livre.

O Cenário é o Rio de Janeiro da classe média e a trama segue o romance entre os jovens Maria Lúcia e João Alfredo e a trajetória de um grupo de amigos do tradicional Colégio Pedro II desde 1964 até 1979. Maria Lúcia é a jovem individualista, traumatizada com a história do pai e quando ela conhece João vê o mesmo perfil de seu pai. Ele é um jovem de classe média extremamente politizado e ao se apaixonar por Maria Lúcia, fica dividido entre o relacionamento e a militância política. Apesar de se amarem, eles vivem um conflito, o namoro se torna difícil quando ele decide entrar para luta armada, terminando na definitiva separação, ela se casa com Edgar grande amigo de João e este é perseguido pela ditadura que acaba sendo obrigado a sair do país.

Entre os companheiros de João está Heloísa, antiga amiga de Maria Lúcia e filha do poderoso banqueiro Fábio Brito, que ajudou a financiar o golpe militar de 1964. De garota rica e mimada, Heloísa dá uma reviravolta em sua vida ao entrar para luta armada. O destino dos personagens está diretamente ligado ao momento político do país, que não atua, na minissérie, apenas como pano de fundo, como ocorreu com o período histórico da minissérie Anos Dourados, também de Gilberto Braga.

Cenas e Curiosidades
Elenco protagonizado pelos atores Malu Mader, Cássio Gabus Mendes, Cláudia Abreu, Marcelo Serrado, Pedro Cardoso, José Wilker entre outros. Grande parte das cenas foi filmada em estúdio. O Teatro Opinião e parte do Cinema Paissandu foram reconstituídas pelo cenógrafo Mário Monteiro e pela produtora de arte Cristina Médicis. O cineasta Sílvio Tendler foi o responsável por uma extensa pesquisa em fotos, recortes de jornais, arquivos da TV Globo e a Cinemateca Brasileira de São Paulo. Algumas cenas foram gravadas em preto e branco em 16 mm para fundir com o material de arquivo. Anos Rebeldes foi reprisada duas vezes e logo depois pode ser reevista no canal Multishow.

Antológica a cena do último capítulo em que Heloísa, personagem magistralmente feito por Cláudia Abreu, é brutalmente assassinada. Anos Rebeldes também ganhou uma versão literária, adaptada por Flávio de Campos. O livro homônimo foi lançado pela Editora Globo, em 29 de julho de 1992. Isabel Diegues, filha de Nara Leão e Cacá Diegues, interpretou a mãe na minissérie, nas cenas do Teatro Opinião.

A minissérie foi exibida durante uma grande manifestação popular que entrou para a história do Brasil o “Impeachment de Fernando Collor de Mello”. Jovens saíram com a cara pintada fazendo protestos contra o atual presidente. Inclusive de acordo com a Folha de São Paulo os manifestantes cantavam “Alegria, Alegria” de Caetano Veloso, música que abria a minissérie. Alguns atores como Bete Mendes, Francisco Milani e Gianfrancesco Guarnieri sofreram repressão na época do golpe e contaram sua história.

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